terça-feira, 29 de março de 2022

Bolsonaro, Valdemar, Collor e Heleno na mesma imagem: A união faz a farsa



Após passar três anos e três meses utilizando o Planalto como palanque, Bolsonaro lançou sua candidatura à reeleição. Fez isso num evento ilegal, pois a lei prevê que candidaturas só podem ser formalizadas a partir de 20 de julho. Repetiu o discurso de 2018. O mesmo alvo: o antipetismo. A mesma bandeira: o combate à corrupção. Com duas diferenças:

1) Havia no ar o mau cheiro das perversões acumuladas e a suspeita de cobrança de propinas no MEC;

2) O palco estava repleto de hipocrisia: Bolsonaro, Valdemar Costa Neto, Fernando Collor e Augusto Heleno dividiram a mesma imagem. Uma evidência de que a união faz a farsa.

Num ambiente de comício —coisa que a lei desautoriza antes de 16 de agosto— Bolsonaro deu à polarização um sentido messiânico. Convocou a plateia arregimentada pelo PL, seu partido, para uma guerra contra Lula. "Não é uma luta da esquerda contra a direita", ele disse. "É uma luta do bem contra o mal."

O mestre de cerimônias, um locutor de rodeios chamado Cuiabano Lima, já havia antecipado o mote messiânico. Com as mãos levantadas para abençoar o candidato, puxou um "Pai Nosso". E comparou Lula, a quem chamou de "homem de nove dedos", ao personagem bíblico Barrabás, o ladrão libertado no julgamento que resultou na crucificação de Jesus.

"Temos que orar e agradecer, porque o diabo, o demônio vem para roubar, para mentir, para confundir, para matar, para destruir", disse o locutor, ignorando a presença de Valdemar, o preso do mensalão; de Collor, um réu do petrolão que o Supremo demora a julgar; e de Heleno, o general que cantarolava em 2018 que "se gritar pega centrão, não fica um meu irmão". Ficaram todos. Eles nunca saem de cena. "A esquerda tentou matar Jair Messias", enfatizou o locutor. "Estão tentado, desde que esse homem assumiu, crucificar o Messias."

Bolsonaro vai à campanha acorrentado às suas ideias fixas. Elogiou o torturador e "velho amigo" Brilhante Ustra. Recitou uma adaptação do lema do Integralismo, o fascismo à brasileira: "Deus pátria, família, povo e liberdade." Fez declarações esquisitas. Como essa: "Por vezes, me embrulha o estômago ter que jogar dentro das quatro linhas" da Constituição. Ou essa: "Queremos é entregar o comando deste país bem lá na frente, em processo democrático transparente." Disse também que exerce a Presidência como uma missão divina.

Se Deus escolhesse um lugar para morar talvez optasse o Brasil. Como não pode, Bolsonaro se oferece para representá-lo por mais quatro anos.

Um comentário:

  1. O BEM CONTRA O MAL


    O Brasil continuará à mercê dos maus políticos?

    Bolsonaro se julga o “bem” e o Lula é o “mal”.
    Eleição tem dessas coisas – mas, na realidade, é o
    Mal que prevalece entre eles, aliados e opositores:

    Corruptos formam a maioria dos eleitos, ora bolas!
    O político que “apenas” comete rachadinhas,
    No time dos corruptos já tem a sua cadeira cativa.
    Tem denúncias contra o Mito e seu clã envolvendo
    Rachadinhas e outros leros. E se dizem do bem?
    Assim começaram exercendo má política: trambicando!

    O Lula? É Corrupto Senior: nem mais, nem menos que o

    Mito que curtia dizer “A verdade vos libertará”.
    A polarização Lula x Mito cega e ensurdece o eleitorado.
    Lula e Mito? Nunca mais! → Há outros candidatos!


    AHT
    27/03/2022

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