Por Nelson Motta
O professor Elton Simões analisou
pesquisas internacionais sobre as relações entre o sentimento de vergonha social
e familiar e a criminalidade.
Nas sociedades em que a violência e o crime são vistos como ofensas à
comunidade, e não ao Estado, em que a noção de ética antecede a de direito, em
que o importante é fazer o certo e não meramente o legal, há menos crime,
violência e corrupção, e todo mundo vive melhor - por supuesto, o objetivo de
qualquer governo. Nas sociedades evoluídas e pacíficas, como o Japão, a
principal função da Justiça é restaurar os danos e relações entre as pessoas, e
não punir ofensas ao Estado e fabricar presos.
"Existe algo fundamentalmente errado em uma sociedade quando as noções de
legalidade ou ilegalidade substituem as de certo ou errado. Quando o sistema
jurídico fica mais importante do que a ética. Nesta hora, perdemos a vergonha",
diz o professor Simões. Como os políticos que, antes de jurarem inocência,
bradam que não há provas contra eles. Ou que seu crime foi antes do mandato.
Não por acaso, no Brasil, onde a falta de vergonha contamina os poderes e a
administração pública - apesar de todo nosso progresso econômico e avanços
sociais -, a criminalidade, a violência e a corrupção crescem e ameaçam a
sociedade democrática. Não há dinheiro, tecnologia leis ou armas que vençam a
sem-vergonhice. Só o tempo, a educação e líderes com vergonha.
Lindo texto... Nelson é um intelectual...A academia deveria rever seus critérios.
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